O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) participou, neste domingo, 14, de visita a um dos campos de capim-dourado, promovida pela Comunidade Quilombola Mumbuca. Na ocasião, os visitantes tiveram a oportunidade de vivenciar o processo de coleta e de se conectar com a cultura local, compreendendo a importância da preservação da matéria-prima, utilizada na confecção de artesanato.
A programação marca o início do período de liberação para a coleta das hastes da espécie vegetal, que se inicia no próximo sábado, 20, e segue até 30 de novembro. A experiência ofereceu uma reflexão sobre a história e as tradições que transcendem gerações, evidenciando não apenas a importância ambiental do capim-dourado, mas também seu valor cultural. O evento serviu como um lembrete de como a preservação dessa matéria-prima está entrelaçada com a identidade e as tradições da região, e reforçou o compromisso com a conservação de uma rica herança cultural que dá vida às comunidades.
A gerente de Suporte ao Desenvolvimento Socioeconômico do Naturatins, Letícia Suarte, destacou a relevância do manejo adequado durante a coleta do capim-dourado. “Ao longo de todo o ano, temos feito um trabalho de apoio, porque nós precisamos pensar no manejo sustentável do capim-dourado. Se tirarmos as hastes e não deixarmos as florezinhas/cabecinhas, comprometemos a manutenção da espécie. Então, é fundamental pensarmos na sustentabilidade. Ao colher o capim, é importante cortar e deixar as cabeças no campo, garantindo a dispersão das sementes. Assim, teremos capim-dourado todos os anos”, ressaltou.
A presidente da Associação de Artesãos e Extrativistas da Comunidade Quilombola Mumbuca, Silvanete Tavares, destacou a importância de proporcionar aos visitantes essa experiência. “É um momento muito especial da coleta demonstrativa. Não é o dia de fazermos a coleta definitiva. É um dia para demonstração com parceiros, visitantes e turistas. Esse é um momento valioso, não só para nós da comunidade, mas para o Tocantins, Jalapão e para o mundo, porque esperamos o ano todo por esse momento. Durante a visita fazemos uma reflexão, agradecemos a Deus por nos dar a oportunidade de mais uma vez estarmos comemorando a chegada da coleta do capim-dourado”, destacou.
A artesã do Mumbuca, Cirliane Matos, relata a relevância do legado do capim-dourado para a comunidade local. “Para nós é um momento ímpar de estarmos mais uma vez no campo, celebrando a colheita e dizendo que o povo de Mumbuca é um povo forte, corajoso e de cultura viva. Porque o capim-dourado é um legado que nós temos. Estar aqui no campo, todas as vezes, nos emociona porque lembramos de Dona Laurina, que descobriu uma vereda como essa, o capim-dourado, que levou o seu povo para o mundo e trouxe o mundo para a sua comunidade”, finalizou.
Momento cultural
Na noite de sábado, 13, a Comunidade Quilombola Mumbuca foi palco de uma celebração que une gerações em torno do capim-dourado. A história dos antepassados da comunidade foi contada por meio de um teatro. O evento contou ainda com o tradicional desfile estrelado por crianças, adolescentes e adultos, revelando os talentos das artesãs locais por meio das peças cuidadosamente confeccionadas.
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