Como resultado do Prêmio Funarte Murais do Centenário da Semana de Arte Moderna, mais três trabalhos contemplados já podem ser visitados pelo público. Dessa forma, a Fundação Nacional de Artes finaliza o edital, que teve, ao todo, cinco premiados.
Em Porto Alegre (RS), o projeto “A poesia existe nos fatos”, de Brenda Klein pode ser conferido na Casa do Estudante (CEU), localizada no Centro Histórico. Em São Luiz do Maranhão (MA), Origes desenvolveu a obra “O Grito”, que está na Rua Oswaldo Cruz. E em Aracaju (SE), “Além da torre existe um arco-íris”, de André Chagas com curadoria de Marcelo Rangel, traz cor para a Pista de Skate Cara de Sapo, na Orla de Atalaia.
As obras fazem parte dos premiados pelo edital da Funarte, que teve por objetivo a seleção de projetos de artes visuais específicos para murais. Elas deveriam ser inspiradas, "estética e/ou simbolicamente", no Centenário da Semana de Arte Moderna. Cada proposta recebeu um valor de R$ 50 mil. Os ganhadores tiveram que produzir seus trabalhos em espaços públicos com grande circulação de pessoas. A intenção foi valorizar a produção regional e contribuir para a economia criativa.
A poesia existe nos fatos
O mural de 115m² (imagem acima) retrata mulheres que fizeram história no modernismo e que ainda sofrem apagamento em relação aos artistas homens da época. De acordo com a artista Brenda Klein, foi feita uma longa pesquisa conceitual e estética, durante dois meses, sobre a vida e o trabalho dessas personalidades.
O título da obra é em referência ao Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, texto que, junto com o Manifesto Antropófago, traz o que eram os ideais de uma arte genuinamente nacional na época, contestando o naturalismo e realismo europeus.
Para a artista, “trabalhar neste projeto foi uma tomada de consciência em vários pontos enquanto profissional da arte”. Sobre a escolha do local, ela explicou que a CEU “é de muito apreço, visto que contempla, além da população geral, os estudantes, principalmente de baixa renda, que se alimentam e residem na casa e restaurante universitário”.
O Grito
A obra nasceu durante a pandemia com o intuito de expor críticas e angústias em relação a trajetória da população negra e periférica brasileira. Segundo o artista visual e grafiteiro Origes, “O Grito” surge para criticar, relembrar e colocar em pauta questões que precisam ser discutidas como: o preconceito, a xenofobia, o racismo e a desigualdade. Sendo assim, Marielle Franco, George Floyd e o menino João Pedro são os rostos em evidência que estampam o mural e representam a luta antirracista e contra a violência policial em todo o mundo.

Eduardo moura (o grito)
Como forma de ilustrar a diversidade racial, étnica, cultural e social da população brasileira, esses rostos são representados através da figura popularmente conhecida como “Cazumbá”, termo de origem Africana, e presente no folclore maranhense. O Cazumbá é um personagem do bumba-meu-boi, não é homem, nem mulher, nem animal, transita entre o lúdico e a magia, é a fusão dos espíritos dos homens, mulheres e animais, cercado de magia e responsabilidades com o boi.
Origes conta que “o objetivo principal do projeto é incentivar através do grafite jovens negros e periféricos a contarem a sua própria história e homenagear pessoas que infelizmente foram assassinadas vítimas de um sistema racista e desigual”. E completa: “O grito de revolta, o grito de não aceitar violência, o grito de basta, o grito de chega e o grito de estar vivo, presente e escrever através do grafite, do movimento de rua, o seu caminho artístico e profissional”.
Além da torre existe um arco-íris
O mural, instalado nas três faces de uma parede de escalada desativada, no meio da pista de skate, tem como ponto de partida os manifestos modernistas que propunham a assimilação de temas e referências de culturas populares. Para isso, o artista visual André Chagas utiliza referências sergipanas em vetores de um modernismo regional contemporâneo.
A composição do trabalho é de base geométrica com traços, formas e representações da biodiversidade e do patrimônio imaterial local, juntamente com personagens e criações que integram a memória coletiva de Sergipe. O título do projeto diz respeito ao suporte em que o mural foi executado – um bloco de concreto similar a uma torre, que recebeu tons como os dos arco-íris que costumam aparecer no céu da Praia de Atalaia, ao fundo da pista de skate.
Ainda de acordo com Marcelo Rangel, curador e idealizador do projeto, “o arco-íris é símbolo do movimento LGBTQIAP+ e amplia mais a compreensão da diversidade que se pretende expor, pois acrescenta outra camada de significado para aspectos culturais, étnicos e ambientais retratados na obra”. Com 10 metros de largura, o trabalho se estabelece como a mais alta pintura mural da capital de Sergipe em um ponto de encontro de esportistas, jovens e artistas de variadas classes sociais.

Diego DiSouza (alem da torre)
Visitação gratuita
A Poesia existe nos fatos – Brenda Klein
Casa do Estudante (CEU)
Av. João Pessoa, 41 - Centro Histórico, Porto Alegre (RS)
O Grito – Origes
Rua Oswaldo Cruz, 1189 - Camboa, Centro de São Luís (MA)
Além da torre existe um arco-íris – André Chagas, com curadoria de Marcelo Rangel
Pista de Skate Cara de Sapo - Orla de Atalaia, Aracaju (SE)
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