A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou, nesta quinta-feira (22), a indicação do diplomata Carlos Alberto Franco França para a chefia da embaixada brasileira no Canadá. A indicação do diplomata, que foi ministro das Relações Exteriores no governo de Jair Bolsonaro, foi relatada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) esegue agora para votação no Plenário do Senado.
Carlos Alberto Franco França nasceu em 1964 em Goiânia. Fez graduação em Relações Internacionais e em Direito na Universidade de Brasília (UNB) e ingressou no Itamaraty em 1991. Trabalhou nas embaixadas em Washington (EUA), La Paz (Bolívia) e Assunção (Paraguai). Entre 2021 e 2022 foi ministro das Relações Exteriores do governo de Jair Bolsonaro.
Para o diplomata, a existência de 55 acordos bilaterais entre o Brasil e o Canadá demonstra que a relação entre os países é fundamentada em valores comuns, como multilateralismo, meio ambiente e inclusão de populações indígenas. Carlos Alberto ainda explicou que pretende desenvolver temas nas áreas de ciência, tecnologia, inovação, agricultura e energia limpa, energia nuclear e hidrogênio verde. Também afirmou que exercerá atividades em todo o território canadense.
— Pretendo visitar todas as províncias. O Canadá é uma mistura do federalismo americano com o parlamentarismo britânico. Há uma co-soberania das províncias, são mais que entes federados. Tem negociações internas do governo central com as províncias no campo de circulação de mão-de-obra, por exemplo — explicou o indicado.
A senadora Margareth Buzetti (PSD-MT), que foi relatora ad hoc, destacou a presença da comunidade brasileira no Canadá, que continua em crescimento.
— O Canadá abriga cerca de 50 mil residentes permanentes brasileiros no país, segundo dados do Censo Canadense de 2021. O número de expatriados continua a crescer: apenas no ano de 2022, foram admitidos no Canadá quase 7,5 mil brasileiros como residentes permanentes e quase 12 mil brasileiros como estudantes — disse a senadora.
França explicou que o intercâmbio de jovens brasileiros entre 18 e 35 anos é um tema caro ao governo. Segundo o diplomata, o país norte-americano ainda não tem um acordo do gênero com o Brasil.
— [O Canadá] é um dos principais destinos dos estudantes de ensino médio que vão aprender línguas, mas também de graduação e pós-graduação. Isso tem reflexo bastante grande no turismo [canadense], e, no nosso caso, permite a difusão da língua portuguesa — disse Carlos Alberto.
Com relação ao turismo de canadenses no Brasil, o senador Cid Gomes (PDT-CE) disse que o potencial do setor no Brasil poderia ser alavancado com a divulgação de destinos turísticos conjuntos entre a Amazônia e a região nordeste. Para isso, o senador sugeriu parceria entre a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e os governos brasileiro e canadense.
O senador Sergio Moro (União-PR) lembrou que o Brasil voltou a cobrar visto para a entrada de canadenses no país. Para o senador, a medida editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio somente traz prejuízo ao turismo.
O diplomata sabatinado apontou que ambos os países vivem um bom momento na relação bilateral. Segundo Carlos Alberto França, isso é sinalizado pelos encontros de altas autoridades ocorridos nos últimos seis meses.
— O presidente da República e o primeiro-ministro canadense estiveram em reunião em maio desse ano, na cúpula do G7. [Também] tivemos visita semana passada da chanceler Mélanie Joly, ministra das relações exteriores canadense. Tratou-se sobre meio ambiente, combate ao desmatamento, risco de erradicação de biomas como é o caso do cerrado e adoção de políticas públicas voltada a inclusão de populações indígenas— disse.
Questionado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre o acordo do Mercosul com o Canadá, anunciado em 2018, o diplomata afirmou que não acredita em um desfecho rápido. Isso porque o Mercosul está mais focado em finalizar acordo com a União Europeia e o Canadá já concede muitos benefícios a diversos outros países por meio de tratados recentes. O acordo trata de temas como boas práticas regulatória, trabalho, pequenas e médias empresas, gênero e povos indígenas.
Carlos Alberto França, por outro lado, pretende reativar diálogo de parceria fechada em 2011 que até hoje não se concretizou.
— É uma proposta que inclui exploração de petróleo, gás natural, e também temas como energia nuclear e cidades inteligentes. Poderia beneficiar academias e entidades de classe — disse o indicado.
O diplomata elogiou a atuação da senadora Tereza Cristina como ministra da agricultura no governo Bolsonaro em acordos sobre fertilizantes e abertura de mercado com o Canadá. Segundo França, o Brasil possui grande dependência de fertilizantes e possui potencial de vender mais carnes ao Canadá.
— Consumimos 8% da produção global de fertilizantes e dependemos de exportação para cobrir 85% das demandas internas. O Canadá é um grande produtor do fertilizante potássico e o maior provedor ao Brasil. [Também] queremos ampliar a [venda de] carne bovina e suína ao mercado canadense. Carne suína, hoje, só quem pode exportar é o estado de Santa Catarina, mas estamos tratando para que outros estados, como Paraná, Amazonas e Mato Grosso, possam também. Estão livres da febre aftosa — disse o indicado.
O Canadá é o segundo maior país em extensão territorial e apenas o 38º em população no mundo. Tornou-se politicamente autônomo em 1867, quando o parlamento do Reino Unido aprovou o Ato da América do Norte Britânica, que criou as províncias de Ontário e Quebec e uniu-as a Nova Brunswick e a Nova Escócia para formar um estado federado com o nome de Domínio do Canadá.
A relação entre o Brasil e o Canadá é marcada por uma ampla cooperação em comércio e investimentos, energia e mineração, meio ambiente, educação, ciência, tecnologia e inovação, defesa e segurança. Em 2022, as trocas comerciais entre Brasil e Canadá totalizaram 10,56 bilhões de dólares, registrando expansão de 40,9% em relação a 2021, marca inédita na série histórica.
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