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Fiscalização aponta preço acima do mercado e irregularidades em nova licitação do transporte escolar de Palmas

TCE notificou prefeitura um dia antes da Polícia Federal deflagrar operações que investigam contratos da Secretaria municipal de Educação. Pregão eletrônico que ocorreria na quinta-feira (10) escolheria empresa para firmar contrato de mais de R$ 35 milhões.

11/08/2023 17h30
Por: Redação Fonte: g1 Tocantins.com.br
 Foto: Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera
Foto: Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera

O Tribunal de Conta do Estado (TCE) identificou diversas irregularidades em edital de pregão eletrônico para escolha de empresa para prestação de serviços de transporte escolar dos alunos da zona rural e urbana de Palmas. Entre os apontamentos estão a falta de documentação, pagamento do quilômetro rodado acima do preço de mercado e ausência de quantitativo de veículos adaptados. O valor do contrato é de R$ 35.274.939,00.

O aviso de licitação por meio de pregão eletrônico da Secretaria Municipal de Educação (Semed) foi divulgado no Diário Oficial do Município do dia 24 de julho deste ano. O pregão estava marcado para ocorrer na quinta-feira (10). Já notificação da prefeitura aconteceu na quarta-feira (9), um dia antes de a Polícia Federal cumprir 14 mandados de busca em órgãos do município.

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Os federais prenderam ainda o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Serviços Regionais de Palmas, Edmilson Vieira das Virgens. Uma das investigações é justamente com relação a contratação emergencial de empresa para o transporte de alunos, na ordem de mais de R$ 19 milhões.

Para dar explicações sobre o novo processo licitatório, o Tribunal de Contas notificou gestores da Semed para apresentar defesa no prazo de 48 horas. Na noite de quinta-feira (11), a prefeitura anunciou a exoneração da secretária de Educação Maria de Fátima Pereira de Sena e Silva, da secretária executiva Fernanda Rodrigues da Silva e de Edmilson.

Sobre os questionamentos do TCE, a prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Educação está sob gestão interina e que pasta poderá se posicionar oficialmente apenas após a análise dos processos e pareceres do órgão.

Investigação

Além de apontar as supostas irregularidades na licitação para escolha definitiva de empresa especializada no transporte de alunos, o TCE também está investigando a contratação emergencial que resultou nas operações da PF.

Segundo o órgão, a dispensa de licitação na prestação do serviço tinha possíveis inconsistências na contratação direta da empresa que fazia o transporte de alunos da zona rural. Como a pasta apresentou defesa e o serviço era essencial para a população, não houve pedido de suspensão.

Mas o TCE também notificou a prefeitura alertando sobre a necessidade da realização de uma licitação para escolha de empresa que presta o serviço, com o fim do contrato emergencial.

Além desse caso, dois contratos relacionados à aquisição de kits escolares, também alvos da operação federal, estão sendo apurados pelo Tribunal, que informou que a equipe técnica está acompanhamento da execução das contratações. Uma tem o valor estimado de R$ 14.950.934,00 e outro de R$ 8.465.036,00.

Operação federal

Policiais federais cumpriram mandados expedidos 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Tocantins na manhã de quinta-feira (10). Os alvos em Palmas foram a sede da Prefeitura, a Semed e um apartamento localizado na ARNE 64 (Antiga 508 Norte) e empresas.

Nesse local foram apreendidos R$ 3,6 milhões em espécie, que estavam armazenados em caixas e sacolas, além de joias. O secretário Edmilson foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro. O local Polícia Federal afirma que o apartamento estava locado em nome de um primo de Edmilson.

Na tarde de quinta-feira ele passou por exames no Instituto Médico Legal e passou a noite do Quartel de Comando Geral de Palmas. Nesta sexta-feira (11), foi solto mediante pagamento de fiança de R$ 120 mil.

A defesa de Edmilson informou que ainda não irá se posicionar porque está tomando ciência da investigação.

Segundo a PF, um dos contratos é relacionado ao transporte escolar, no valor de R$ 19,9 milhões. Pela estimativa, o município está pagando cerca de R$ 110 mil por dia de contrato, considerando o prazo de 180 dias.

Em outro contrato, a apuração é sobre a compra de kits pedagógicos para escolas municipais. O contrato no valor de R$ 14,9 milhões é alvo porque foi feito sem licitação. Além disso, a polícia também suspeita que houve suposto pagamento de propina para agentes públicos.

Veja nota da prefeitura sobre os apontamentos do TCE:

A Prefeitura de Palmas informa que a Secretaria Municipal de Educação está sob nova e interina gestão. Informa, ainda, que a pasta poderá se posicionar oficialmente apenas após a análise dos processos e pareceres do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

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